Entenda sobre a atrofia progressiva da retina em cães

Doença afeta as células da retina e pode causar cegueira no cão


A retina é uma camada bastante sensível do olho que, ao ser atingida pela luz, desencadeia diversas reações químicas que resultam nos impulsos nervosos. Esses impulsos passam pelas camadas da retina chegando ao nervo ótico e, por fim, ao cérebro, o que promove a visão.

Diversas células são responsáveis pela visão na retina: os cones são aquelas células que captam os raios luminosos azuis, vermelhos e verdes, que são responsáveis pela visão das cores e pela visão diurna. Os bastonetes, por sua vez, captam todas as cores, ou seja, são pancromáticos, e responsáveis pela percepção do contraste e da intensidade luminosa, além da visão noturna.

Entenda sobre a atrofia progressiva da retina em cães

Foto: Pixabay

Atrofia progressiva da retina

Atrofia progressiva da retina ou degeneração progressiva da retina é o nome dado à doença que afeta as células da retina e pode causar cegueira no cão. A doença envolve um lento processo de degeneração do tecido retinal e é transmitida por fenes recessivos.

Em muitas raças isso é comum, mas em outras acontece por causa do desenvolvimento anormal da retina, que é conhecido como displasia da retina.

Para os casos genéticos, no entanto, existe uma exigência em muitos países feita por parte das entidades das raças, de que os reprodutores sejam avaliados, e aqueles que possuam os genes para a doença sejam esterilizados.

Propensão

Apesar da doença poder atingir qualquer raça de cachorro, existem, como em qualquer outra doença genética, as raças que têm maior propensão ao problema. É o caso do poodle, setter irlandês, labrador, akita, collie, dachshund, samoieda, cocker spaniel, schnauzer miniatura e golden retriever.

Segundo alguns estudos realizados nos Estados Unidos, os cães das raças collie e setter irlandês desenvolvem a doença antes mesmo de completar um ano de idade, enquanto os schnauzers miniatura e os akita desenvolvem somente depois dos três anos de idade. A fase da vida em que essa doença aparece é, portanto, também determinada pela raça do cão.

Sintomas da doença

A doença não causa dor e tampouco tem manifestações externas como vermelhidão, por exemplo. Ela chega sem que a maioria dos donos perceba que ela chegou e está evoluindo no cão. É possível, no entanto, notar um brilho anormal nos olhos de seu cão, que são causados pela dilatação da pupila que, devido à doença, deixa de reagir de forma rápida aos estímulos luminosos.

Os primeiros sintomas, no entanto, envolvem uma dificuldade para enxergar durante a noite, fazendo com que o cão “perca-se” na casa enquanto não houver luz. Isso acontece porque a doença atinge primeiro os bastonetes e depois os cones.

Diagnóstico e tratamento

Uma vez que a doença não apresenta sintomas facilmente perceptíveis, a melhor forma de fazer o diagnóstico com precisão é por meio de um exame da retina conhecido como Eletroretinograma, feito com o cão acordado por meio de estímulos de cores. Mas fique tranquilo: o exame não causa dor alguma ao pet.

Os raios brancos estimulam os cones e os bastonetes, enquanto os azuis estimulam apenas os bastonetes e os vermelhos apenas os cones. É importante, portanto, levar o seu cão regularmente ao veterinário, para que sejam observadas as condições de saúde dele.

A má notícia é que não existe, ainda, tratamento para a doença. Existem alguns estudos, no entanto, que envolvem o uso de terapias com vitaminas, da mesma forma como é feito com pessoas que são portadoras de retinite pigmentosa.

A melhor forma de “tratar” a doença, atualmente, é melhorar a qualidade de vida do cão, pois este, com o tempo, aprenderá a viver com a cegueira, tendo uma vida completamente normal. Para tanto, é importante consultar um médico veterinário que fará importantes orientações sobre como lidar com o cãozinho portador de atrofia progressiva da retina. Se você tem um cãozinho com a doença, uma ajuda é consultar o livro “Vivendo com cães cegos”, de Carole Levina.


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