De onde surgiram tantas raças de cachorro?

Confira como foi o desenvolvimento das raças de cachorros durante a história


Inicialmente, o cachorro não era um amigo, mas sim um trabalhador. Com funções e rotinas diárias de trabalho no pastoreio, guarda ou puxar trenós, até o século XX os cães não eram pets acarinhados por nós. Isso somente mudou com a grande quantidade de migrações do campo para a cidade, que deixaram os cães livres das funções que possuíam nos campos.

Com isso, passaram a ser mimados com carinho, banhos, alimentos diferentes e muitas brincadeiras. Mas isso ainda era algo positivo. O problema mesmo, começou quando os animais começaram a ser tratados como status e bibelôs vivos. Deixaram de ser analisados por suas qualidades e funções, e passaram a ser avaliados por sua beleza.

No ano de 1800, já existiam 20 raças de cachorros que foram sendo desenvolvidas para agradar aos gostos daqueles que tinham paixão pelos bichos e pela sua beleza – e status trazido. Apenas 73 anos depois, esse número havia dobrado!

Atualmente, no entanto, o número é um tanto mais assustador: existem em torno de 400 raças de cães com tamanhos, cores, pelagens e formas diferentes.

De onde surgiram tantas raças de cachorro?

Foto: Reprodução

Como foram desenvolvidas as raças?

Essa é a parte que muitas pessoas não sabem. Os cães de raças foram desenvolvidos por meio do cruzamento entre pais e filhos, avós e netos, irmãos e cães da mesma família que possuíam características semelhantes, de forma a mantê-las e deixar o cão “fofo” e agradável ao gosto daqueles que o desenvolveram. Mas você sabia que isso pode trazer muitos problemas de saúde?

As mudanças que foram impostas aos cães, como as dobrinhas fofas do sharpei ou o focinho curto e charmoso dos pugs, aconteceram em poucos anos e se fossem acontecer de forma natural – reforçando o SE, pois a natureza trabalha com a seleção dos mais fortes e isso somente enfraquece os pets –, levaria milhares de anos para se concretizar! Ainda falando sobre os pugs, você sabia que a população de 10 mil pugs do Reino Unido vieram de apenas 50 pugs? Pois é. Com isso, veio também uma carga genética imensa de doenças. Triste demais, não acham?

Isso se deve graças à seleção artificial das raças, que nada mais é do que isso que falamos de selecionar cães com características semelhantes – da mesma família – para reforçar essas características. O problema é que as doenças também passam a ser reproduzidas, de forma a gerar uma avalanche de problemas genéticos passados de geração em geração e mantidos pela constante busca da perfeição das raças.

Problemas de saúde ocasionados pelo cruzamento entre familiares

Pois é, gente, o cruzamento entre cães de mesma família acabou gerando problemas de saúde. Você já ouviu falar, certamente, de algum cão que ficou cego, surdo, tem problemas ósseos ou outras coisas, né? Isso acontece devido à essa busca incessante de manter o padrão das raças caninas e pode trazer problemas muito sérios à saúde desses cães.

Você sabia que os cães de raça tem mais problemas nos ossos e olhos, além de câncer, do que os humanos? 1/3 dos cães é gordo e o mais chocante: boa parte deles é neurótico.

Você conhece as síndromes dos cães? Aproximadamente 14% dos cães sofrem da síndrome de ansiedade de separação, sofrendo de uma forma muito triste quando estão longe de seus donos. Existem mais de 500 doenças genéticas que afetam os cães, e estes pequenos animais, para serem fofos para nós, possuem três vezes mais doenças genéticas do que os seres humanos.

Vira-latas

Os vira-latas passam pela seleção natural, o cruzamento acontece entre os mais fortes e tudo aquilo que costumamos estudar na escola. Por isso, enquanto um cão de raça pode custar em torno de R$ 5.300,00 por ano – e até mais do que isso! – com gastos de alimentos específicos e cuidados com a saúde, os vira-latas nos fazem gastar apenas um valor em torno de R$ 1.200,00.

Estes são lindos como qualquer outro cão, tão carinhosos quanto os cães de raça, e ao adotar um cãozinho, você diminui o abandono, deixa de incentivar a criação – muitas vezes mais cruel do que o cruzamento de cães entre família –, salva uma vida, gasta muito menos com saúde do pet e, de quebra, vai ter um cãozinho exclusivo.


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