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Zoonoses: problemas de pele que podem afetar cães e humanos

Sarna sarcóptica e micose são dois problemas de saúde que passam para o ser humano através do contato com cães já doentes

Muita gente já deve ter ouvido a palavra zoonose, principalmente quando ela faz referência aos animais de rua. Na verdade, este termo é usado para indicar que uma determinada doença é transmissível do cachorro para o ser humano e vice-versa.

Por esta razão, existem os Centros de Controle de Zoonoses (CCZ) em várias cidades do país, sendo responsáveis pelo recolhimento dos animais encontrados nas vias públicas que possuem algum problema de saúde transmissível para as pessoas.

Como exemplos de zoonoses, pode-se citar as doenças que afetam a pele, como: a sarna sarcóptica ou escabiose e a micose. De acordo com a veterinária Bárbara Haro, do site Meu Cão Velhinho, estes dois problemas de saúde passam para o ser humano através do contato com cães já doentes. O mais preocupante é que, mesmo não escolhendo seus alvos, estas patologias afetam “especialmente as crianças, idosos, e pessoas com baixa imunidade”, alerta a especialista.

Zoonoses: problemas de pele que podem afetar cães e humanos

Foto: depositphotos

O que são micoses e o que elas causam?

Dermatofitoses são os tipos mais comuns de micoses e podem ser causados por três tipos de fungos diferentes: Mycrosporum canis, Mycrosporum gypseum, e Tricophyton mentagrophites. “Eles são transmitidos através do contato com outros cães, com a terra, e com roedores, respectivamente. Pelos no ambiente e objetos com os quais um cão doente teve contato podem também colaborar para a transmissão das micoses entre um animal e outro, de modo que estas doenças são consideradas altamente contagiosas”, explica a veterinária Bárbara.

Por causarem extrema coceira e ferimentos na pele, as micoses devem ser evitadas. Para isso, é necessário manter um animal doente longe de outros cães, bem como todos os seus pertences. Além disso, o tratamento que for sugerido pelo veterinário deverá ser feito com toda a segurança para o humano, ou seja, com luvas para evitar o contágio.

Sarna: uma zoonose da pele

Existem três tipos de sarna que acometem os cães, são elas: demodécica, otodécica e sarcóptica. Também chamada de sarna negra ou demodicose, a demodécica é causada através da genética e o cão só pode adquirir esta condição nos seus primeiros dias de vida. Já no caso da otodécica, esta só atinge os ouvidos dos cães, deixando as orelhas inchadas, avermelhadas e irritadas.

O único caso de sarna que é transmissível dos cães para o ser humano é a sarcóptica, que é também o tipo mais comum de sarna. Caracterizada pela vermelhidão do corpo, a escabiose, como também é chamada, “é transmitida pelo contato direto entre os cães, bastando que eles estejam próximos ou no mesmo ambiente para que haja a possibilidade de transmissão. Objetos usados pelo cão com escabiose também se tornam fontes de infecção”, alerta a médica.

Para evitar o contágio, é indicado isolar o cão que estiver em tratamento dos demais animais e que o cuidador tenha medidas de prevenção, como o uso de luvas ao manusear o pet. “Se houver mais de um cão na mesma casa, e algum deles pegar sarna, pode ser recomendável tratar todos os animais ao mesmo tempo. Cabe lembrar que esta sarna também é uma zoonose, podendo, portanto, ser transmitida para humanos”, esclarece a veterinária, Bárbara Haro.

Outros tipos de zoonoses

Além desses problemas de pele que passam dos cães para o ser humano e vice-versa, existem ainda outras zoonoses que não estão relacionadas com a epiderme, como: raiva, leptospirose, leishmaniose visceral etc.