Linfoma em cães – Fique por dentro deste assunto

Muitas das doenças que afetam os humanos também podem ser desencadeadas no organismo dos cães. Um exemplo disso é o linfoma, um tipo de câncer muito agressivo aos animais domésticos. De acordo com a veterinária Andressa Suênia, este é um dos cânceres mais comuns nos pets.

“O Linfoma é uma neoplasia maligna com origem nos linfócitos. Distingue-se da leucemia por ser uma neoplasia sólida afetando órgãos sólidos como os gânglios linfáticos, baço, pele e fígado“, explica o veterinário Hugo Gregório, do Centro Hospitalar Veterinário. Apesar dos médicos ainda não terem respostas concretas com relação as possíveis causas desse problema, há uma correlação com pré-disposição genética em algumas raças e com a idade do animal, sendo mais comum em cães com idade entre 5 a 9 anos.

Segundo Andressa, em um vídeo publicado no seu canal no YouTube, raças como boxer, labrador, golden retriever dentre outras costumam apresentar essa neoplasia com mais frequência devido ao fator hereditário.

Sintomas do linfoma em cães

Existem várias classificações para o linfoma, por esta razão também há uma diversidade de sintomas. De acordo com Gregório, quando o linfoma é gastrointestinal, o animal pode apresentar vômitos e diarreias. Já quando se trata de linfoma mediastínico, o paciente tende a demostrar “fadiga, prostração, perda de apetite, dificuldades respiratórias”, cita o veterinário.

Mas, de uma maneira geral, os gânglios linfáticos ficam inchados e podem ser visíveis aos olhos ou sentidos durante uma palpação. Segundo a veterinária Andressa, os gânglios mais fáceis de serem percebidos estão próximos ao pescoço, embaixo das axilas, na parte de trás das patas próximos a calda e nas mamas.

Além disso, a médica alerta para outros sintomas, como: letargia, emagrecimento, coceira, ferimentos e mal estar. “Nem todo animal que tem linfoma, tem sintomas. Então, por isso que é tão importante você levar seu animal para fazer uma revisão com o médico veterinário”, alerta Andressa.

Nem todo animal que tem linfoma, tem sintomas

Algumas raças de cachorro apresentam maior predisposição ao linfoma (Foto: depositphotos)

 

Diagnóstico desta doença

Para descobrir um linfoma, o tutor precisa levar o animal para o veterinário assim que perceber mudanças físicas ou comportamentais do pet. Na clínica, o médico vai saber quais medidas precisam ser tomadas para encontrar o problema. Palpação é uma técnica muito utilizada, mas exames clínicos também serão solicitados, com: hemograma, sonografia, citologia e biopsia.

“A biópsia de gânglio permite-nos classificar mais rigorosamente o tipo de linfoma e que pode ser útil na distinção de linfoma indolentes que não necessitam de tratamento com quimioterapia convencional”, afirma Gregório.

Ainda segundo o veterinário, existem procedimentos mais avançados que auxiliam o veterinário em um diagnóstico preciso. “Em casos duvidosos poderá ser necessário recorrer a técnicas de diagnóstico mais sofisticadas como o PARR [PCR Antigen Receptor Rearrengement] e a citometria de fluxo.”

Tratamento para linfoma

“O tratamento convencional do linfoma não indolente é feito mediante a utilização de fármacos citostáticos vulgarmente denominado de quimioterapia“, conta o médico Hugo Gregório.

Para Andressa, a quimioterapia iniciada imediatamente após o diagnóstico pode dar 75% de chance do animal se recuperar. “Já o animal que é diagnosticado, e do diagnóstico em diante sem tratamento quimioterápico, esse animal vive em média de quatro a oito semanas”, afirma.

Mas, assim como no caso dos humanos, a quimioterapia também pode provocar algumas respostas negativas do organismo. “Na maior parte dos casos os efeitos secundários relatados são a diminuição ligeira de apetite acompanhada da alteração da consistência das fezes. A queda de pelo é rara“, finaliza Gregório.

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Entendendo melhor o que é linfoma em cães

O linfoma acomete uma célula chamada de linfócito, a qual circula dentro dos vasos sanguíneos e em um vaso chamado de linfático. Neste último, não circula sangue, mas sim linfa. Algumas estruturas pequenas conhecidas como linfonodos também abrigam linfócitos e quando eles sofrem alguma agressão aumentam de tamanho, tornado-se inchados.

Esses inchaços são naturais, pois são respostas do organismo para situações de ameaça para o corpo. Porém, em casos mais simples, há um inchaço e depois os linfonodos voltam ao normal. Já quando o paciente apresenta linfoma, as estruturas incham e não voltam ao tamanho normal.

Esse câncer acomete o sistema linfático que é composto pelos vasos linfáticos e os linfonodos, que a gente conhece popularmente pelos gânglios. E esses gânglios são responsáveis pela produção das células de defesa que são os linfócitos”, finaliza a veterinária. Por esta razão, o animal fica muito vulnerável.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estabeleceu estágios e sub-estágios clínicos para os linfomas em cães. Os estágios foram definidos em cinco fases, enquanto que os sub-estágios foram divididos em dois. Entenda estas classificações a partir da explicação da veterinária Maria Luísa Buffo de Cápua, em sua tese de doutorado:

Estágios clínicos do linfoma em cães segundo OMS

  • Fase I: um linfonodo atingindo;
  • Fase II: múltiplos linfonodos regionais;
  • Fase III: linfadenopatia generalizada;
  • Fase IV: fígado e/ou baço com ou sem o estágio III;
  • Fase V: envolvimento da medula óssea ou sangue periférico e/ou algum órgão não linfóide com ou sem os
    estágios I a IV

Sub-estágios clínicos do linfoma em cães segundo OMS

  • Tipo “a”: sem sinais clínicos da doença;
  • Tipo “b”: com sinais clínicos de linfoma.

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Jornalista (MTB-PE: 6750), formada em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo, pela UniFavip-DeVry, escreve artigos para os mais diversos veículos. Produz um conteúdo original, é atualizada com as noções de SEO e tem versatilidade na produção dos textos.