Cachorro é espancado no estacionamento do Carrefour de Osasco, São Paulo

Desde o início dessa semana, o caso do cachorro espancado no estacionamento do Carrefour de Osasco está circulando na mídia. Ativistas e algumas testemunhas alegam que o animal teria sido vítima de maus-tratos e envenenamento por um segurança do supermercado.

De acordo com os relatos, o crime teria ocorrido na quarta-feira, dia 28 de novembro. No entanto, o caso só foi registrado na Delegacia de Meio Ambiente de Osasco dias depois.

“Nós tomamos conhecimento dos fatos no final de semana, tanto através de Dr. Bruno como através das redes sociais. Foi instaurado um inquérito na data de hoje (3). Ouvimos já a gerencia do Carrefour e agora vamos passar a ouvir as testemunhas e buscar as imagens”, contou a delegada responsável pelo caso, Silvia Teodoro, em entrevista coletiva nessa segunda-feira (2).

Mas hoje (4), as imagens que chegaram até a polícia comprovaram o crime. “Com essas imagens que conseguimos agora ficou comprovada [a agressão]. Não tem mais dúvidas, esse segurança realmente agrediu o cachorro”, declara a delegada em vídeo divulgado no Instagram da ativista da causa animal, Luísa Mell.

Crime contra o cachorro no estacionamento do Carrefour

O supermercado liberou as imagens para a Delegacia Ambiental de Osasco. Em algumas filmagens é possível ver uma funcionária da empresa alimentado a cadela, que encontrava-se saltitante e feliz. Segundo alguns servidores, a cadela já estava há alguns dias nas proximidades do estabelecimento.

Imagens de sangue da cadelinha

Cachorro é espancado no estacionamento do Carrefour de Osasco, São Paulo (Foto: Facebook/Reprodução)

Sabendo da presença do animal, a gerencia teria solicitado à retirada do mesmo. Em um dos vídeos é possível ver um segurança colocando o animal para fora, sem o uso de nenhum objeto.

Mais a frente, o mesmo funcionário aparece com uma barra de alumínio nas mãos. O cachorro sai do alcance das câmeras e é seguido pelo segurança. Logo após, o animal surge e já está todo ensanguentado. Para fugir do segurança, ele acaba correndo para dentro do estabelecimento.

Outras imagens mostram o mesmo segurança trazendo o animal para a frente do Carrefour, guiado por uma coleira. Nesse instante, algumas pessoas se aproximam e o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) é acionado.

Enquanto o resgate não aparece, um outro segurança tenta acalmar a cadela, fazendo carinho em sua cabeça. Após a chegada do socorro, o animal tenta relutar, mas é imobilizado pelos servidores do CCZ. 

Depois de ser levada para o Centro de Zoonoses, a cadela não suportou os ferimentos e acabou morrendo. O corpo do animal foi cremado pelos funcionários do órgão.

Acompanhando Luísa Mell, o jurista Fernando Capez esclareceu os fatos após ver as imagens. “Nós estamos no início da investigação. A questão é, como a dra. Silvia colocou muito bem, os maus tratos estão comprovados. O cachorro sofreu uma agressão comprovadamente, ele estava sangrando. Provavelmente com rompimento de órgãos internos, hemorragia interna e foi exposto ali, deixado mais de uma hora sem socorro. Maus-tratos, não tenho nenhuma dúvida e está filmado.”

Carrefour X Centro de Controle de Zoonoses

Antes das imagens concedidas pelo Carrefour à polícia, o supermercado já havia se posicionado com relação ao fato. Segundo a primeira nota oficial do estabelecimento, o Centro de Zoonoses “foi acionado por diversas vezes, mas não recolheu o animal.”

Além disso, “no momento da abordagem dos profissionais do órgão para imobilização, o cachorro desfaleceu em razão do uso de um ‘enforcador’, tipo de equipamento de contenção.”

Imagens da câmera de segurança do supermercado

Imagens mostram quando funcionário segurava uma barra de alumínio (Foto: Facebook/Reprodução)

Em resposta ao posicionamento do Carrefour, o CCZ também emitiu uma nota sobre os fatos. “O manejo foi realizado por um oficial de controle animal qualificado e o animal foi encaminhado ao departamento para atendimento emergencial”, declarou o órgão.

O Centro de Zoonoses também afirmou que o animal estava bastante ferido no momento do resgate. “O animal deu entrada consciente no departamento em decúbito lateral (deitado de lado), mucosas anêmicas, hipotensão severa (pressão baixa), hipotermia intensa, hematêmese (vômito com sangue) e escoriações múltiplas.”

Nota completa do Carrefour

“A rede repudia qualquer tipo de maus-tratos contra animais. Comprometido em manter a todos informados sobre o episódio ocorrido na loja de Osasco, nossa apuração preliminar apontou que o cachorro estava circulando pelo estacionamento há alguns dias.

O Centro de Zoonoses de Osasco foi acionado por diversas vezes, mas não recolheu o animal. No dia do incidente, clientes se queixaram sobre a presença do cachorro, e, novamente, o órgão foi acionado. Um funcionário de empresa terceirizada tentou afastá-lo da entrada da loja e imagens mostram que esta abordagem pode ter ocasionado um ferimento na pata do animal.

O Centro de Zoonoses de Osasco foi acionado novamente e compareceu ao local para recolhê-lo. No entanto, no momento da abordagem dos profissionais do órgão para imobilização, o cachorro desfaleceu em razão do uso de um “enforcador”, tipo de equipamento de contenção.

A Delegacia especializada de Osasco (D.I.I.C.M.A.) abriu inquérito e está investigando o caso. Estamos colaborando com as autoridades, disponibilizamos todas as informações e imagens para que o fato seja solucionado.”

Nota completa do CCZ

“Em resposta à nota divulgada pelo Hipermercado Carrefour, esclarecemos que o Departamento de Fauna e Bem Estar Animal esteve no local em atendimento a solicitação da Central 156 (Protocolo 2726381), cadastrada às 9h24 do dia 28/11/2018, para prestar atendimento a um cachorro ferido e sangrando. O comparecimento da equipe no local da ocorrência foi por volta das 10h.

A equipe esteve no local e constatou a existência de um animal de espécie canina com sangramento intenso. O manejo foi realizado por um oficial de controle animal qualificado e o animal foi encaminhado ao departamento para atendimento emergencial.

O animal deu entrada consciente no departamento em decúbito lateral (deitado de lado), mucosas anêmicas, hipotensão severa (pressão baixa), hipotermia intensa, hematêmese (vômito com sangue) e escoriações múltiplas. Apesar do tratamento instituído o animal veio a óbito.

No dia 1/12/2018, o Departamento de Fauna e Bem Estar Animal passou a receber informações que se tratava de um caso de maus tratos e foi iniciado a apuração do caso com solicitação de inquérito policial.

O inquérito policial está sob responsabilidade da Delegacia Especializada de Osasco. Somente o inquérito poderá indicar as causas da morte e a quem cabe a responsabilidade.”

Qual será a punição dos acusados?

Após o final das investigações, o segurança pode ser acusado de acordo com a Lei de Crimes Ambientais. “Ele vai responder pelos crimes de maus tratos aos animais na legislação de meio ambiente, agravado pelo estado morte”, explica a delegada Silvia.

Já segundo Luísa Mell, “a Associação de Advogados Criminalistas está entrando com uma ação de maus-tratos contra o funcionário e de danos morais coletivos contra o Carrefour.”

Para o jurista Fernando Capez, três vertentes deveriam ser seguidas: responsabilidade criminal para quem agrediu e omitiu socorro ao cachorro, o segurança; responsabilidade civil, para o estabelecimento; e a responsabilidade administrativa, do Centro de Zoonoses.

Posicionamento de protetores, ativistas e ONG’s

Mesmo com tanta crueldade, o caso só ganhou repercussão devido à atuação de protetores, ativistas e Organizações Não-Governamentais ligados à causa animal. Uma dela é Luísa Mell que está trabalhando no caso junto com ONG’s de Osasco, a Polícia Ambiental e o Ministério Público.

“Agora, o que eu quero e o que eu vou lutar é para que esse cachorro que morreu injustamente, que a gente não pôde salvar, seja um símbolo para que a gente consiga salvar muitos outros. Para que o Carrefour agora apoie salvar milhares de outros”, comentou a ativista em um vídeo postado no próprio Instagram.

Além de Luísa Mell, outros protetores estão se posicionando nas redes sociais. Alguns querem o boicote da rede de supermercados Carrefour. Outros foram até a unidade de Osasco e fizeram um protesto pacífico.

Charge da cadelinha

Cadelinha morta, após maus-tratos, vira símbolo de luta da causa animal

Há ainda os que desejam conversar com o estabelecimento para convencê-lo à ajudar a causa animal. Inclusive, esse tipo de atitude está surtindo efeito. Em última nota divulgada sobre o caso, o Carrefour Brasil diz que está aberto ao diálogo.

“O Carrefour reconhece que um grave problema ocorreu em nossa loja de Osasco. A empresa não vai se eximir de sua responsabilidade.

Estamos tristes com a morte desse animal. Somos os maiores interessados para que todos os fatos sejam esclarecidos. Por isso, aguardamos que as autoridades concluam rapidamente as investigações.

Desde o início da apuração, o funcionário da empresa terceirizada foi afastado. Qualquer que seja a conclusão do inquérito, estamos inteiramente comprometidos em dar uma resposta a todos.

Queremos informas também que estamos recebemos sugestões de várias entidades e ONGS ligadas à causa que vão nos auxiliar na construção de uma nova política para a proteção e defesa dos animais.”

Cadelinha morta do caso Carrefour vira símbolo da luta

De acordo com os ativistas da causa animal, a cadelinha morta brutalmente no Carrefour é só um reflexo dos milhares de casos de maus-tratos que ocorrem no Brasil. Todos os dias animais são abandonados, violentados, envenenados, mortos e/ou negligenciados nas ruas do país.

Portanto, para acabar com todo esse sofrimento, é preciso que a sociedade civil abrace a causa animal. É necessário que as pessoas adotem, castrem seus animais, ajudem ONG’s e, principalmente, denunciem os casos de maus-tratos.

Sobre o autor

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Jornalista (MTB-PE: 6750), formada em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo, pela UniFavip-DeVry, escreve artigos para os mais diversos veículos. Produz um conteúdo original, é atualizada com as noções de SEO e tem versatilidade na produção dos textos.