Ossos de couro são super perigosos para cães

Você dá ossos de couro ao seu cão? Para veterinária, não há benefícios suficientes para oferecer ossos de couro ao cão

Você já deve ter ouvido falar que ossos de couro são super perigosos para cães. De acordo com a médica veterinária Karen Becker, o uso desse tipo de petisco recreativo realmente não é uma boa opção.

Para a médica, não há benefícios suficientes para oferecer ossos de couro ao cão. Isso porque, muitos tutores alegam o uso ao trabalho que esse produto oferece ao cachorro na mastigação.

Entretanto, Becker lembra que aos poucos os ossos de couro vão ganhando uma consistência mole. Assim, não ajudam a trabalhar a mastigação dos animais. Mas, além de não atribuir efeitos benéficos, ossos de couro podem ser prejudiciais à saúde.

Osso de couro é perigoso para cães

“Parece que nos últimos 100 anos, os fabricantes de alimentos humanos descobriram como comercializar quase todas as partes do corpo de animais que sobram para a indústria de tratamento de cães”, conta a veterinária Karen Becker em seu site.

Ossos de couro são super perigosos para cães pois podem causar asfixia e problemas gastrointestinais

O couro que compõe o osso vai ficando mole, como um chiclete (Foto: depositphotos)

Entre essas formas de comercialização estão os ossos de couro. Para a médica, esse é o tipo de mastigador mais antigo do mercado pet, mas que mesmo assim poucas são as pessoas que conhecem como esse produto funciona.

Em primeiro lugar, para Becker o próprio nome desse mastigador não condiz com a realidade. Chamado de osso de couro no Brasil, esse mesmo produto recebe o nome de “rawhide” nos Estados Unidos, o que significa couro cru.

“O nome couro cru é tecnicamente incorreto. Um nome mais preciso seria couro processado, porque a pele não é crua. Mas o termo ‘couro cru’ ficou”, contesta a veterinária.

Outro problema questionado pela médica é com relação a consistência do produto. Mesmo que seja comercializado com um aspecto mais duro, o osso de couro acaba ficando mole a medida que vai sendo consumido.

Portanto, é através dessas duas características que o cão pode sofrer com consequências desse produto. Então, é necessário entender um pouco mais sobre essas questões.

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Problemas com a consistência do ossos de couro

Segundo a veterinária Karen Becker, os ossos de couro podem adquirir uma consistência mole após a mastigação do cão. Por isso, quando o cachorro engole, ele corre o risco de asfixia ou obstrução intestinal.

Além do mais, esse tipo de mastigador não favorece o trabalho das mandíbulas e nem fortalece os dentes dos cães. Isso porque,  a partir da interação do cão com o produto, esse último acaba se tornando mole. “[…] a mastigação assume a consistência de um pedaço viscoso de chiclete”, informa.

Problemas devido a composição dos ossos de couro

Como já mencionado, os ossos de couro não são peles cruas. Para produzi-los, é necessário uma série de processos que envolvem a adição de substâncias prejudiciais à saúde.

“Couros crus vêm em todas as formas e tamanhos, de torções minúsculas para ossos com nós gigantes. Eles também vêm todos naturais, branqueados (que é branco puro) ou banhados. Couros crus que são regados ou aromatizados foram tratados com corantes, colorantes e provavelmente conservantes“, explica a veterinária.

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Ossinho palito faz mal?

Uma dúvida bastante comum entre os tutores é com relação ao ossinho palito. A questão é se esse produto faz mal ou não aos cães e se ele pode ser oferecido ao animal sem preocupações.

Para a médica, algumas opções podem ser até menos nocivas para a saúde do animal. Contudo, esses produtos industrializados e/ou artificiais precisam de um cuidado especial.

“Se você optar por oferecer couro cru para o seu cão, você deve supervisionar as sessões de mastigação”, recomenda a médica.

Como são feitos esses ossos de couro

Em uma publicação feita em seu perfil no Facebook, o especialista em nutrição de cães Rodney Habib expôs os processos pelos quais os ossos de couro passam nos Estados Unidos.

Para Rodney, criador do Planet Paws, o processamento dos ossos de couro é dividido em pelo menos quatro passos, são eles: fábrica de curtume, pós-curtume, pintura e durabilidade.

Primeiro passo: a fábrica de curtume

Segundo Rodney Habib, geralmente as peles de gado são enviadas de matadouros para os curtumes. Para suportar esse transporte, evitando a deterioração, o produto passa por um banho químico.

Após chegar na fábrica de curtumes, é o momento para “limpar” o produto. “Os couros são embebidos e tratados com uma solução de carbonato de sódio ou uma receita altamente tóxica de calagem de sódio. Este processo vai ajudar a tirar o cabelo e a gordura que talvez estejam ligados às próprias peles.”

Em seguida, a pele passa por um tratamento para ser dividida em camadas de forma mais fácil. Por fim, há a divisão dessas faixas de couro.

“A camada exterior da pele é usada para mercadorias como assentos de carro, roupas, sapatos, bolsas, etc. Mas é a camada interior que é necessária para fazer o couro cru. E outras coisas como gelatina, cosméticos e cola também”, explica o especialista.

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Segundo passo: processo pós-curtume

O segundo passo desse procedimento é responsável pela eliminação do cheiro de couro podre ou pútrido. “As peles são lavadas e branqueadas utilizando uma solução de peróxido de hidrogênio e/ou lixívia”.

Terceiro passo: realizando a pintura

Para Habib, essa fase se resume em fazer com que o produto de couro pareça “delicioso”. Nesta etapa, os produtores adicionam corantes, frequentemente artificiais.

Quarto passo: garantindo a durabilidade

Por fim, a última fase diz respeito a durabilidade do produto de couro. Muitos químicos podem ser encontrados nas tiras de pele em bruto, como chumbo, mercúrio e arsênio.

Segundo o especialista, até alguns produtos usam avisos de cuidados com a utilização do osso de couro. Um exemplo deles é:

“Asfixia ou bloqueios. Se o seu cão engolir grandes pedaços de couro cru, o couro cru pode ficar preso no esófago ou noutras partes do aparelho digestivo. Às vezes, a cirurgia abdominal é necessária para removê-los do estômago ou intestinos. Se não estiver resolvido, um bloqueio pode levar à morte.”

Cachorro engoliu osso de couro: o que fazer?

O risco do cachorro engolir o osso de couro sem mastigar é grande. Consequentemente, o cachorro pode apresentar asfixia ou problemas gastrointestinais.

A melhor forma de lidar com isso é prevenindo o contato do cão com esses produtos. Mas, caso isso ocorra, o mais indicado é buscar ajuda veterinária de forma urgente.

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Qual osso dar para o cachorro?

Ossos de couro são super perigosos para cães por isso devem ser consumidos sob acompanhamento do tutor

Esses ossos são feitos com o couro do gado, e passam por 4 processos até ficarem prontos (Foto: depositphotos)

Diante de tudo, a veterinária Karen Becker não recomenda o uso de ossos de couro para o cão. Isso porque, ossos de couro são super perigosos para cães.

Porém, se o tutor deseja oferecer algum osso para o animal, a médica indica as opções naturais e cruas.

Embora seja verdade que, para alguns cães nenhum osso é seguro, a maioria pode receber ossos crus, desde que o tutor do cão tenha conhecimento e cuidado”, explica Becker.

Para escolher a melhor opção de osso cru para o cão, a médica dá algumas dicas:

  • Escolher ossos crus em lugares confiáveis e higiênicos;
  • Optar por ossos grandes, que sejam maiores que a cabeça do cão. Assim, o animal não tem a chance de engolir;
  • Não cozinhar ou assar antes de oferecer ao cão. A versão crua é mais indicada, pois não fica frágil e fácil de quebrar.

Para completar as dicas, a médica recomenda cuidado na hora de ofertar ao cão. Por exemplo, se o animal já quebrou um dente roendo um osso, ele não deve passar pelo mesmo processo.

Além disso, se na casa houver mais de um cão, cada animal deve ganhar o seu osso. E, claro, devem comer em lugares separados, evitando assim brigas por posse.

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Jornalista (MTB-PE: 6750), formada em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo, pela UniFavip-DeVry, escreve artigos para os mais diversos veículos. Produz um conteúdo original, é atualizada com as noções de SEO e tem versatilidade na produção dos textos.