Tratamento pode ser capaz de eliminar câncer de pele em cachorros

Pesquisa parte do pressuposto de oferecer outras metodologias para o tratamento do câncer hemangiossarcoma cutâneo


Um tratamento experimental, desenvolvido pelos alunos da pós-graduação do Instituto de Ciências Biológicas (IB) da Universidade de Brasília (UnB) pode eliminar o câncer de pele em cachorros. O procedimento, proposto pela veterinária oncologista e doutoranda Marta Rocha, em parceria com outros quatro cientistas, mata células cancerígenas por meio de medicina fotodinâmica.

A pesquisa parte do pressuposto de oferecer outras metodologias para o tratamento do câncer hemangiossarcoma cutâneo, atualmente tratado apenas por cirurgia. De acordo com Marta Rocha, o desenvolvimento e estudo do método é bastante proveitoso, pois, além de ser mais uma alternativa para tratar o problema nos pets, representa um passo importante para que a técnica seja aplicada também em humanos.

Inovação no tratamento

A diferença entre o fotossensibilizador já existente com o utilizado na pesquisa é a eficácia. Ele trabalha com ondas vermelhas, permitindo a penetração profunda da luz. Outra diferença vem da utilização do fármaco. O composto é metabolizado, o que faz com que seja absorvido mais rapidamente pelo paciente.

Além da veterinária Marta Rocha, integram a equipe de pesquisa o professor do Departamento de Genética e Morfologia (DGM/IB) e orientador do projeto, Ricardo Bentes e professores Luis Alexandre Muehlmann, Carolina Lucci e João Paulo Longo, responsáveis pelo desenvolvimento do fotossensibilizador e tratamento.

Tratamento pode ser capaz de eliminar câncer de pele em cachorros

Foto: Divulgação

Como funciona o método

A partir do resultados dos estudos, os pesquisadores delimitaram a área lesionada pelo câncer, aplicando substância fotossensibilizadora em estado líquido, responsável por tornar as células cancerígenas sensíveis à luz a ponto de matá-las. Logo em seguida, expõe-se a região à luz vermelha. Para que o processo de cura seja mais rápido, é aconselhável que o procedimento se repita com o espaçamento de uma semana.

Até agora foram necessárias, no máximo, quatro sessões para erradicar a doença em cada um dos cães usados como voluntários nos estudos. O procedimento experimental é realizado gratuitamente, até o desaparecimento dos tumores, por meio de contato prévio com a veterinária responsável pela coordenação da pesquisa. A inscrição pode ser realizada pelo e-mail: contato.oncovida@gmail.com.

Terapia fotodinâmica

A terapia fotodinâmica, utilizada na pesquisa, consiste em um tratamento dermatológico utilizado para tratar alguns tipos de câncer de pele, assim como lesões pré-malignas.  O método é usado em diversas áreas da medicina, estudado há mais de 100 anos. Nos últimos 10 anos, especificamente na área de câncer de pele, esta tecnologia se estabeleceu de fato.

A terapia fotodinâmica se baseia em dois pontos principais: o primeiro deles vem com a utilização de substância fotossensibilizante, que irradia quando exposta a uma fonte de luz adequada. O segundo ponto é compreendido pela utilização dos produtos fotossensibilizantes: metil aminolevulinato (Metvix®) ou ácido aminolevulínico (Levulan®).

Os produtos são aplicados sobre a pele, onde fica agindo por algumas horas. Como as células do câncer possuem alto metabolismo, absorvem o produto com mais eficácia, ao contrário das células saudáveis. A partir daí, tem início uma reação metabólica que torna a célula sensível a luz.


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