Síndrome do cão nadador

Entenda o que é, como se manifesta, além de formas de tratamento e prevenção da síndrome do cão nadador


A síndrome do cão nadador, síndrome do cachorro plano ou hipoplasia miofibrilar, é uma anomalia no desenvolvimento dos cães filhotes. A doença pode acontecer em todas as raças, mas existem algumas que têm predisposição para o desenvolvimento da síndrome, como o Cocker Spaniel, o Yorkshire Terrier, o Dachshund, o Bulldog Inglês. Apesar do nome, a síndrome não tem nada a ver com nadar, mas recebe esse nome devido à compressão dorsoventral do tórax, abdômen e pelve que acontece em consequência à ausência do suporte do esqueleto apendicular, dando a aparência semelhante aos movimentos da natação.

Causas

A doença pode ser causada, essencialmente, pelos genes passados de pais para filhos, mas também pode acontecer devido à alteração no metabolismo muscular causada pela insuficiência de Glicose-6-Fosfatase. Alguns fatores ambientais como o chão escorregadio, também podem contribuir com o agravamento do quadro.

Predisposição

Como mencionamos anteriormente, algumas raças apresentam predisposição à síndrome do cão nadador. Além das raças que citamos acima, podem ser afetados cães de raças que possuem tórax grande e membros curtos; cães que nasceram com tamanho normal mas que, com o passar do tempo, engordaram ou cresceram de forma mais acelerada do que o restante da ninhada; filhotes de cadelas que já deram luz à filhotes com a síndrome em ninhadas anteriores.

Não foram observadas e relatadas nenhuma predisposição relacionada ao gênero do filhote, sendo igualmente frequente em fêmeas e machos.

Síndrome do cão nadador

Foto: Reprodução

Manifestação da síndrome e diagnóstico

Entre a segunda e a terceira semana de vida do filhote já é possível observar os sinais clínicos, pois é nesse período que começa a se mover com suas patinhas. O sinal mais fácil de perceber é a hiperextensão dos membros tanto dos anteriores como dos posteriores, fazendo com que o pet mantenha por bastante tempo o tórax e o abdômen no chão. Outros sinais são a dificuldade de locomoção, escoriações ou úlceras, constipação intestinal, dispneia, sopro cardíaco, entre outros.

Os cães que apresentam essa síndrome normalmente se desenvolvem menos e passam por perdas significativas de peso, já que na disputa pela comida entre os filhotes, acaba não conseguindo ser ágil como os outros. Por isso, é essencial ter assistência contínua do tutor para que possa se desenvolver melhor e ser cuidado tanto durante o banho de sol quanto durante as refeições.

Ao perceber os sinais, o primeiro passo é procurar um médico veterinário para que o diagnóstico seja feito. Serão realizados exames clínicos para que sejam percebidas todas as alterações no corpo do cão. Além disso, pode ser que o médico solicite outros exames para ver o desenvolvimento da síndrome.

O tratamento

É preciso analisar cada caso separadamente, embora na maioria deles o tratamento consista em fisioterapia diária. Existem outras coisas essenciais para o tratamento, como nutrição correta, peso ideal, um piso não liso no local em que o pet fica, entre outras medidas que serão instruídas pelo médico veterinário.

Apesar de ser algo que assusta muitos tutores, o prognóstico é bastante positivo. Aproximadamente 95% dos animais acabam, após a fisioterapia, se recuperando sem carregar sequelas.

O tratamento, em casos mais graves, pode envolver um procedimento cirúrgico seguido de fisioterapias intensivas. Essa fisioterapia deverá ser feita não por qualquer médico veterinário, mas por um especialista na área. Isso vai ajudar a garantir uma recuperação mais ágil e precisa, diminuindo as chances de sequelas.

Pode ser que o animal se recupere de forma natural, mas esses são poucos e isolados casos. A porcentagem de recuperação espontânea é ainda menor quando os quatro membros do cão são acometidos pela síndrome.

O que pode ajudar?

As sessões de fisioterapia são essenciais para garantir a recuperação, e devem ser feitas entre 4 e 5 vezes ao dia por, pelo menos, 10 minutos.

Além disso, pode-se colocar o filhote bem cedo, entre duas e três semanas, em pisos ásperos e macios como por exemplo sobre espumas que tem formato enrugado como as caixas de ovos, entre outros. Pode-se estimular os músculos do cão usando uma escova de dentes, ou ainda usar uma manca de material plástico flexível ou gaze para limitar o alargamento, como forma de algema.

Podem ser dadas ainda injeções – somente com orientação médica – de vitamina E e selênio. Isso porque a deficiência desses dois elementos pode ser uma das causas, apesar de os níveis de deficiência dos componentes no leite materno serem bastante improváveis.

Prevenção

A cadela gestante deve alimentar-se de carne vermelha, pois é fonte de taurina, cuja carência pode ser um fator predisponente da doença em filhotes. Todas as rações obrigatoriamente devem conter essa substância, mas ainda assim muitas doenças foram relacionadas à má nutrição de cães que se alimentam somente de rações industrializadas secas. Procure orientação alimentar para a mãe e os filhotes com um médico veterinário.


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