Biólogos afirmam que cães podem não ter sido domesticados por humanos

Para os biólogos Raymond Coppinger e Lorna Coppinger, os cães passaram por um processo de domesticação conduzido por eles próprios e não pelos humanos


Até 2015, os cientistas se dividiam em duas teorias explicativas sobre como os cães teriam sido domesticados pelos humanos. De um lado, estudiosos afirmam que há oito mil anos, quando os homens desenvolveram a agricultura, os animais gostaram da ideia de aglomeração das pessoas e da comida. Assim foram induzidos pelas comunidades a ficarem.

Em contrapartida, a outra ideia explica que a domesticação foi realizada através do modo de vida que alguns povos europeus levavam, conhecidos pela busca por comida através de caças. Desta forma, os lobos teriam se adequado a este estilo de vida dos humanos e contribuir nas caçadas.

Todavia, na contramão destas teorias, surgem dois biólogos que desenvolveram uma terceira versão para explicar os cães como pets domesticados. Para Raymond Coppinger e Lorna Coppinger, os cães nunca passaram por um processo de domesticação desenvolvido pelo homem. E, para contrapor as demais hipóteses, os estudiosos se basearam na observação dos animais de rua.

Imagem de mulher com dedo em focinho de cão

Foto: Depositphotos

Cães: domesticados sim, mas não pelos homens

De acordo com o livro “Whats is a dog?”, do casal Coppinger, os cães passaram por um processo de domesticação, mas que foi conduzido por eles próprios e não pelo homem como sugerem outras teorias. A obra, lançada em 2016, pretende explicar que os cachorros evoluíram através de adaptações propostas pelos mesmos, ao perceberem que seria mais fácil viver com a ajuda do humano e não lutar com este por um espaço ou alimento.

Para os dois especialistas em vida canina, essa teoria está relacionada a dinâmica desenvolvida pelos cães que vivem nas ruas. São mais de 750 milhões de cachorros que não possuem um lar em todo o mundo, número este que representa 3/4 de todos os caninos que existem no Planeta. Ao observarem o modo de vida dos pets das ruas da Índia, África, México e do Vietnã, os biólogos perceberam que nem todos eles sofrem por não terem uma casa. Com exceção, é claro, quando algum indivíduo pratica maldade contra eles.

Raymond e Lorna afirmam no livro que os animais de rua podem viver sozinhos ou andarem em grupos. Alguns tentam arrumar o próprio alimento, enquanto que outros conseguem ganhar refeições de pessoas. Apesar de criar um vínculo com esses humanos, existem cães que preferem viver de forma livre nas ruas e acabam fugindo, mesmo depois de serem adotados. Desta forma fica claro que os cachorros escolhem seus donos e não o contrário, como muitos especialistas afirmam em suas teorias.


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